quarta-feira, 6 de agosto de 2008

FRACASSO


Sentado em frente ao meu computador ensaio o que vou escrever para compartilhar. Nesse momento penso na minha dependência do Senhor. Não sou nada sem Ele, e desejo de todo coração ser um vaso útil para abençoar outras pessoas e por isso oro.

Algum instante atrás manuseava um livro que, entre uma e outra palavra destacou-se o assunto que poderia afetar a vida de muitos. Meditando sobre o tema, resolvi dividir com todos. Quero, antes de tudo tomar a vida de Pedro como um exemplo da matéria. Acompanhe comigo:

“Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles. Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente” (Lucas 22.54-62).

A maioria de nós define sucesso como prosperidade, poder, prestigio. Imagine, por um momento, que pudéssemos ter um vislumbre dos anos futuros e ver como algumas coisas em nossa vida iriam acontecer. Poderíamos voltar então ao presente e manipular as situações e eventos para obter maior “sucesso”? Não estou certo disso, aliás, duvido muito que a maioria das pessoas compreenda o que o sucesso significa realmente.

Muitos conseguiram realizar os seus sonhos. Conquistaram o diploma universitário, casaram, construíram suas casas, adquiriam o último modelo do carro que tanto planejaram, mas lá no fundo (e conheço vários) experimentaram a sensação de vazio.

Será que a definição de sucesso é exagerada? Será que aquilo que chamamos de fracasso não poderia ser, na verdade, uma coisa boa disfarçada para cada um de nós? Você poderia responder: Depende da oportunidade.

Voltando ao nosso personagem, podemos ver nele louváveis intenções. Ele era dedicado a Cristo. Com o tempo veio a ser porta-voz do Senhor e líder dos doze. Entretanto, vamos enfrentar uma verdade. Isso nem sempre foi assim.

Na Galileia, ele tentou andar sobre a água e, em seguida, foi para o fundo do mar. No Cenáculo, ele disse que Jesus jamais lavaria os seus pés e depois prontamente pediu um banho completo. Na hora da maior provação emocional do seu Mestre, ele dormiu. Quando tentaram prendê-lo no jardim, ele partiu para cima do soldado com a espada no ar ferindo-lhe a orelha e depois “deu no pé” o mais rápido que pôde. Pedro não queria fracassar, mas fracassou. Ninguém quer falhar, mas todos falham. Todos nós planejamos uma viagem suave e mansa pela vida, sem cair em “ciladas”. As ciladas, porém existem. E algumas vezes aparecem onde você menos espera. Vejamos algumas muito comuns:

Cilada nº 1- Conhecimento.

Muitas pessoas citam as palavras de Jesus: “Conheçam a verdade e a verdade vos libertará”. Realmente isso é uma verdade. Mas o conhecimento, por si só, jamais impediu alguém de falhar em algo. Pedro é o caso em questão. Imagine tudo o que ele aprendeu, submetido durante três anos ao profundo ministério de ensino do Senhor e observando os milagres que fluíam da Sua vida? Ele ouviu e viu coisas que reis e profetas da antiguidade tanto desejaram ouvir e presenciar. Imagine você andando, comendo, dormindo e fazendo passeios com o próprio Deus durante três anos? No entanto, Pedro falhou. Ele sabia que iria falhar. Jesus lhe avisou.

“Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes” (MT 26.33-34).

Naquela noite dolorosa da negação, tudo que Pedro tinha aprendido, ouvido e experimentado, não foi bastante para impedir que falhasse em relação ao seu Amigo mais querido. Você não pode depender do conhecimento para impedi-lo de falhar, pois não impedirá.

Cilada nº 2 – Revelação.

Pedro foi quem declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. O próprio Jesus declarou que Pedro estava falando as palavras do Pai. Jesus talvez tivesse dito mais ou menos assim: Pedro, você teve uma experiência de revelação e é abençoado por causa disso. Essas palavras foram grandiosas. Mas imagine você naquele meio e dois minutos depois Pedro é severamente repreendido pelo Senhor por tornar-se um porta-voz de Satanás. A revelação não impediu que Pedro falhasse, nem impede outros de fazerem o mesmo. Jamais fará isso, pois não é esse o seu intento.

Alguns dos momentos mais tristes que presenciamos na vida de cristãos abençoados que “viram as coisas de Deus” como poucos, foram marcados com acontecimentos como o fracasso de seus casamentos e pecados em suas vidas pessoais.

Não dependa da revelação para impedi-lo de fracassar. Ela não fará isso.

Cilada nº 3 – Amor.

Já presenciei irmãos queridos confessarem um amor ardente por Jesus, mas que caíram em precipícios profundos de fracasso moral. Pedro era um homem que amava muito a Cristo, mas isso não o impediu de gritar: “Não conheço tal homem!”

Compramos uma idéia errada, fabricada dentro de conceitos errados que se expressa mais ou menos assim: “se amarmos de verdade, não falharemos”.

Questões como essa rondam à nossa mente: Se eu o amasse de verdade, jamais teria feito isso. O próximo passo lógico é: “Acho que não o amo, se amasse, não teria falhado”. Muita gente diz: O amor é a resposta. Não, não é! Ele é importante, é essencial, é crítico. Mas, não é a resposta. Penso naquela conversa entre Jesus e Pedro após a ressurreição: - Pedro, tu me amas? – Sim. Segunda vez: - Pedro, tu me amas? – Sim Senhor! Novamente: Pedro, tu me amas? – Senhor, Tu sabes tudo. No mundo de Pedro o pensamento popular também era: “Se me amasse, você não faria isso”. Não funcionou antes e não funciona agora. Não dependa do amor para impedir você de falhar ou cair. Ele não fará isso.

Pessoas bem informadas falham todos os dias; só que com mais classe. As pessoas abençoadas pela revelação também caem e a sua queda é mais barulhenta. E os que amam a Jesus também falham; a sua dor e agonia são apenas um pouco mais profundas.

Certamente as emoções de Pedro o deixaram abalado pela sua traição, e certamente também, ele não se achava absolutamente preparado para ser o principal orador no Dia de Pentecostes, como também o papel de mártir que finalmente assumiria. Estava, porém a caminho.

Pedro pode não ter percebido isso na ocasião, mas se encontrava numa viagem. Ele não tinha conhecimento do seu destino final, como poderia então identificar as marcas ao longo do caminho? Só Jesus sabia o que o esperava.

O sucesso na vida cristã é como uma viagem memorável. Algumas vezes o pneu fura, mas isso não significa que fiquemos detidos para sempre. Algumas vezes nos perdemos e isso não significa, porém, que nunca chegaremos em casa. Para Pedro, a viagem que levava à dependência passou por dois marcos significativos: confissão e arrependimento.

Quando falo de confissão, estou pensando em declaração. Jesus não estava interessado na confissão de culpa de Pedro, mas na confissão de amor e compreensão de sua necessidade. Jesus perguntou: Pedro, tu me amas? Ele não perguntou: Pedro, você está livre de falhas? Ou você está verdadeiramente arrependido? Ou você jura que não falhará mais comigo?

Para nós e para Pedro, é mais penoso e difícil declarar nosso amor e necessidade do Salvador, por termos falhado tão terrivelmente em relação a Ele.

O fracasso está além do poder do inimigo. Ele é produto do esforço humano. O inferno vai fazer o máximo esforço; mas, em última análise, o fracasso é responsabilidade nossa e não de Satanás. Quando ocorrer o fracasso, devemos dizer primeiro ao Senhor que somos dEle. A seguir devemos dizer a Satanás que não somos dele. Satanás só tem acesso à nossa vida quando complicamos o nosso fracasso ao recusar-nos a reconhecê-lo, ou quando tentamos arrumar as coisas por esforço próprio.

Arrependimento é uma decisão de mudar de rumo, de confiar no Senhor e não em si mesmo, de admitir que o caminho dEle é o certo. A melhor maneira de começar a sua viagem de volta à bênção e ao sucesso é parar. Parar de tentar fazer tudo sozinho. Parar de fazer promessas a Deus e a si mesmo, a não ser que tenha tomado a firme decisão de confiar no poder de Deus e na Sua graça.

Olhando para Pedro temos muito que aprender. Depois dos episódios que relatamos, voltamos para a 1ª carta de Pedro e ao lermos alguns textos, me pergunto se ele lembrou-se de alguns acontecimentos, quando escreveu:

I Pd 4.7: Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações. Será que se lembrou da vez em que adormeceu no Jardim?

I Pd 3. 8-9: Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. Será que se lembrou da sua lamentável cirurgia na orelha de Malco?

I Pd 3.15: antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós. Será que se lembrou da pergunta direta de uma jovem criada numa fria madrugada, junto à fogueira?

CONCLUSÃO

Se existe uma coisa boa nas fraquezas de Pedro é o que ele aprendeu com tudo isso: que a dependência drástica e radical de Cristo era a única esperança de sucesso.

Se quiser fazer a viagem do fracasso ao sucesso, o ponto crítico é a dependência... de Jesus, só de Jesus. O maravilhoso sobre conhecer Jesus, ser Seu amigo, é que Ele sabe que o fracasso pode levar ao sucesso. Ele, e só Ele, sabe distinguir o começo do fim.

Alguém escreveu: “Deus não é obrigado a ajudar ninguém que não seja totalmente dependente dEle”.

Muita gente parece que não conhece a palavra fracasso como um todo, mas bem pode ser que certas áreas de suas vidas estão sendo atingidas. Alguns estão sentindo isso nos seus relacionamentos com Deus. Outros, ainda estão experimentando situações difíceis, com o espírito esmagado, oportunidades desfeitas e um exército de escarnecedores prontos a fazer desaparecer suas chances. Nesse momento é hora de dependência total de Jesus. Só de Jesus. Ele é o único que conhece o dia de amanhã e sabe como a viagem vai terminar. Ele lhe diz para deixar a ansiedade de lado e colocar a sua confiança nEle. Sendo assim, é melhor que o faça, pois certamente Ele te levará ao porto seguro.


Que o Senhor abençoe o seu coração.

Pr. Natanael

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